Diante da concorrência de preço, Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, com experiência em planejamento, operações e ambientes corporativos complexos, pondera um dilema recorrente nesses negócios: cortar custos na mesma proporção em que os preços caem raramente é possível sem comprometer a qualidade do produto ou serviço entregue ao cliente.
Reduzir preços para seguir a concorrência sem revisar a estrutura de custos subjacente tende a transformar uma estratégia comercial defensiva em um problema estrutural de rentabilidade.
Reconhecendo quando a compressão deixou de ser temporária
Toda empresa enfrenta, em algum momento, pressão de preço vinda de um concorrente específico, mas distinguir essa pressão pontual de uma margem comprimida permanente, provocada por uma mudança estrutural do mercado, exige observar indicadores além do resultado de um único trimestre.
Na leitura de Valdoir Slapak, uma margem comprimida que persiste por vários ciclos consecutivos, mesmo após ajustes pontuais de custo, geralmente sinaliza uma mudança permanente na dinâmica competitiva do setor, e não apenas uma fase passageira que se resolve sozinha com o tempo.
Esperar a margem se recuperar sozinha, sem intervenção estrutural, tende a consumir reservas financeiras que poderiam ser direcionadas para uma reestruturação empresarial mais profunda, conduzida enquanto a empresa ainda tem fôlego para executá-la com cuidado.
Separando clientes rentáveis de clientes que só existem por volume
Nem todo cliente que compra em grande volume contribui, de fato, para a rentabilidade da empresa: alguns pedidos só se sustentam financeiramente graças a um preço que, somado ao custo real de atendimento, mal cobre as despesas envolvidas na operação.

Valdoir Slapak observa que, diante de margem comprimida, revisar a rentabilidade por cliente, e não apenas o resultado consolidado da empresa, costuma revelar que uma parte considerável do volume de vendas opera, na prática, próxima do zero a zero ou até no negativo.
Identificar esses clientes permite negociar reajustes específicos ou, em último caso, reduzir deliberadamente o atendimento a contas que consomem capacidade produtiva sem contribuir de forma proporcional para o resultado financeiro da empresa.
Decidindo entre competir por preço e migrar de posicionamento
Competir diretamente por preço contra concorrentes com estrutura de custo mais baixa tende a ser uma batalha perdida no longo prazo, especialmente quando esses concorrentes operam em escala maior ou têm acesso a insumos mais baratos.
Para Valdoir Slapak, em cenários de margem comprimida persistente, migrar parte do portfólio para um posicionamento menos sensível a preço costuma exigir uma reestruturação empresarial que vai além do ajuste de custos, incluindo mudanças no mix de produtos oferecidos e no público atendido pela empresa.
Essa migração, avalia Valdoir Slapak, raramente acontece da noite para o dia: costuma exigir investimento em capacidades novas, enquanto a operação atual ainda precisa ser sustentada financeiramente durante a transição.
Executando ajustes de custo sem comprometer a recuperação futura
Cortar custos de forma generalizada, sem critério, costuma comprometer justamente as áreas que a empresa precisará fortalecer para competir de outra forma no futuro, como inovação de produto ou atendimento diferenciado ao cliente.
Valdoir Slapak frisa que uma reestruturação empresarial bem conduzida, diante de margem comprimida, preserva deliberadamente investimentos estratégicos de médio prazo, concentrando os cortes em despesas que não contribuem para a nova posição competitiva que a empresa pretende ocupar.
Lidar com margem comprimida de forma sustentável exige aceitar que a solução raramente está apenas em cortar custos ou em competir por preço, mas em redefinir deliberadamente onde e como a empresa pretende competir a partir desse ponto.
