Spotachio: um vinho “porcaria” de Flores da Cunha que virou sucesso

Giampiero Rosmo
Giampiero Rosmo Giampiero Rosmo
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Não é novidade que um vinho, quanto mais velho, melhor. Mas um vinho considerado ruim logo de cara se transformar em um sucesso é bem curioso. Foi o que aconteceu com Vilmar Ulian, de Flores da Cunha. Em 2012, ele comprou barricas novas e um amigo de Caxias disse que tinha interesse nas bebidas produzidas naquele ano. Trato feito.

Assim que os vinhos ficaram prontos, cerca de seis meses depois, Ulian foi entregar a encomenda.

— É muito ruim. Esse vinho é um spotachio, não quero — comentou o amigo, após provar.

A desilusão foi grande, afinal, spotachio, no dialeto, significa porcaria. Ulian ficou tão triste que guardou a safra e esqueceu. Cinco anos depois, num encontro de amigos na própria vinícola, lembrou das garrafas e resolveu servir, mas não contou para ninguém de qual vinho se tratava.

— Aquele amigo se serviu e disse: “Esse eu quero as 600 garrafas”.

— Esse não, esse tu chamou de spotachio — conta, rindo.

Apesar disso, Ulian não estava ainda convencido de que o vinho tinha ficado bom. Foi só depois de um enólogo provar a bebida e elogiá-la que ele resolveu colocar o spotachio no mercado. E foi com esse nome no rótulo que o vinho foi apresentado, apesar da resistência da família:

– Falei para os filhos e a mulher que se em um mês eles sugerissem algo melhor, eu trocava, mas não apareceu nenhum outro nome.

Hoje, o Spotachio é considerado a grande estrela da vinícola e despertou paladares em outros Estados e até em outros países. Como o termo é bem específico da nossa região de imigração italiana, nem todo mundo sabe o que quer dizer.

– Causou uma grande decepção, mas me mostrou que um vinho de guarda surpreende – diz Ulian.

O Spotachio está à venda no site da empresa a R$ 199. A Ulian foi fundada em 1964 e fica na Linha 80, interior de Flores. A produção anual é de 600 mil litros. A vinícola oferece experiências como colheita e pisa da uva, menarosto e cinema em meio às pipas.

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