Como escolhemos os vinhos que estarão na sua mesa?

Se você já se perguntou como os vinhos que você toma chegam até a sua mesa, saiba que todos os rótulos que fazem parte do portfólio da importadora Porto a Porto passam por um rigoroso crivo que envolve muitas pessoas e variáveis.

Com 25 anos de atuação, a Porto a Porto conta atualmente com um portfólio de cerca de 800 rótulos das principais regiões produtoras do Novo e Velho Mundo: Argentina, Chile, Uruguai, Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Líbano e África do Sul.

São vinhos brancos, tintos, rosés, espumantes, champagnes, fortificados e de sobremesa, que compõem um mosaico de cores e sabores, capaz de agradar a todos os gostos e bolsos. Há vinhos de entrada e tops de gama, os que estão prontos para beber e os que tem potencial de guarda, os de grandes vinícolas e os de pequenos produtores.

Apesar da diversidade, todos têm uma coisa em comum: são rótulos que chegam a sua mesa porque também estão na nossa, ou seja, são vinhos que nós mesmos gostamos de tomar. Esta filosofia norteia qualquer escolha comercial da Porto a Porto e ajuda a explicar o sucesso da empresa ao longo de um quarto de século.

Vinhos são avaliados em degustação

Nos primórdios da empresa, a curadoria do portfólio era realizada por um sommelier-consultor que orientava o processo de compra. Com o passar do tempo e a estruturação de uma equipe cada vez mais competente, a tarefa foi entregue a um comitê interno formado por especialistas. A ideia por trás dessa mudança é de que mais narizes avaliam melhor do que um só, além de refletir diferentes sensibilidades.

Atualmente, o grupo é formado por oito pessoas, homens e mulheres, de diversas áreas da empresa – diretoria, comercial e marketing – com especializações no mundo do vinho. Muitos são sommeliers formados em escolas reconhecidas ou frequentaram cursos de renome internacional, como o Wine and Spirit Education Trust (WSET), já outros acumulam décadas de experiências e a chamada “litragem”.

O comitê se reúne uma vez por semana para degustar às cegas rótulos que aspiram entrar para o portfólio. Vinhos que já fazem parte do catálogo também entram no escrutínio rotineiramente para comprovar se a qualidade se mantém ao longo das safras ou se existem bebidas no mercado da mesma qualidade, mas de melhor custo-benefício.

O objetivo é sempre o mesmo: avaliar tudo que chega até nós e fazer uma seleção criteriosa para oferecer variedade e qualidade que cabem no seu bolso.

Como é realizada a degustação às cegas

A degustação é realizada às cegas, isto é, os degustadores não sabem quais vinhos irão provar. Eles entram na sala de degustação e encontram as bebidas já servidas em taças numeradas. Só no final, as garrafas e a fichas técnicas são reveladas.

Apenas uma pessoa do comitê tem conhecimento dos rótulos. Ela é responsável por armazená-los na temperatura correta (brancos, espumantes e rosés na geladeira, tintos na adega) e servi-lo em taças numeradas. As garrafas são envoltas numa capa protetora para evitar que qualquer influência sobre o júri.

Apenas algumas informações – como uva e país de produção – são repassadas aos degustadores de modo a tornar a prova mais objetiva. Exemplo: se a degustação envolve vinhos brancos italianos elaborados com a uva Pinot Grigio (delicada e discreta), mas a prova revela uma bebida com notas intensas de frutas tropicais maduras, é um sinal de que o rótulo carece de tipicidade.

Tipicidade é um dos aspectos mais importantes de um vinho e reflete fatores como terroir e uva. Se você compra um vinho do Piemonte, região do norte da Itália de clima frio, mas ao prová-lo ele se parece com um rótulo do Novo Mundo, provavelmente você ficará desapontado por não ter encontrado a tipicidade, mesmo se for um bom vinho.

Para que a degustação seja justa, a comparação ocorre sempre entre vinhos da mesma categoria, seja por faixa de preço, região de produção e uva.

Além das características sensoriais, o comitê avalia também se a bebida terá viabilidade comercial, isto é, clientela potencialmente interessada. O mundo dos vinhos é gigante, os estilos mais diferentes são produzidos ao redor do mundo e nem todos agradam ao consumidor brasileiro.

Por exemplo, cerca de 80% do vinho consumido no Brasil é tinto, enquanto na Itália o consumo é igualmente repartido entre brancos e tintos. É inevitável, portanto, que as escolhas reflitam também o gosto dos consumidores locais.