PF investiga distribuição irregular de vinhos argentinos em seis unidades da Federação

Redação Revista Vinhos
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A Polícia Federal deflagrou, em 15 de outubro de 2026, a Operação Nerovino para investigar uma organização criminosa suspeita de introduzir, armazenar, distribuir e comercializar vinhos argentinos no Brasil sem o recolhimento dos tributos federais. A ação alcançou municípios de cinco estados e do Distrito Federal, indicando que a apuração envolve uma estrutura com atuação além de um único ponto de venda ou armazenamento.

Segundo a Polícia Federal, foram mobilizados mais de 100 policiais federais para cumprir 25 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas no Paraná, no Rio de Janeiro, em Goiás e no Espírito Santo, além de Teresina, no Piauí, e de Brasília, no Distrito Federal.

Curitiba aparece como ponto de armazenamento e distribuição

A investigação identificou a região de Curitiba como área usada para armazenar e distribuir os produtos. De acordo com a PF, os vinhos eram encaminhados a revendedores localizados em diferentes estados. A operação, portanto, mira não apenas a entrada das bebidas no país, mas também a logística que permitiria sua circulação e comercialização por meio de uma rede mais ampla.

As apurações começaram em março de 2025, depois que aproximadamente 4.200 garrafas de vinhos estrangeiros foram apreendidas em um depósito na Região Metropolitana de Curitiba. Na ocasião, os produtos foram avaliados em mais de R$ 900 mil. A apreensão serviu como ponto de partida para a identificação dos envolvidos e para o avanço das diligências que levaram à Operação Nerovino.

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O caso é tratado pela Polícia Federal como descaminho de vinhos argentinos. A investigação busca esclarecer a participação de pessoas e empresas na introdução, na guarda, na distribuição e na venda das bebidas sem o recolhimento dos tributos federais correspondentes. Como a apuração ainda está em andamento, a suspeita não equivale a uma condenação, e a responsabilidade individual dos investigados deverá ser definida pelas autoridades competentes.

Impacto sobre o mercado de vinhos

A circulação de bebidas fora dos canais regulares de importação pode afetar diferentes participantes do mercado brasileiro de vinhos. Importadores, distribuidores e revendedores que cumprem as exigências fiscais passam a concorrer com produtos inseridos no mercado sem a mesma carga tributária, enquanto consumidores podem ter mais dificuldade para verificar a procedência das garrafas adquiridas.

Para quem compra vinho argentino no Brasil, a operação reforça a importância de buscar estabelecimentos formais e conferir as informações disponíveis sobre a origem do produto. A documentação fiscal e a identificação do responsável pela comercialização são elementos relevantes para distinguir uma operação regular de uma negociação sem comprovação adequada. A investigação da PF, no entanto, não permite concluir que todo vinho importado comercializado fora de grandes redes seja irregular.

Também é importante diferenciar a procedência do vinho de sua qualidade. A Operação Nerovino trata, conforme a descrição oficial, da entrada e da comercialização de produtos sem o recolhimento de tributos federais. A existência da investigação não autoriza generalizar a suspeita para produtores argentinos, marcas ou importadores que atuam dentro das regras brasileiras.

O que acontece após o cumprimento dos mandados

Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo reunir documentos, registros e outros elementos que possam ajudar a esclarecer o funcionamento da rede investigada. A partir do material recolhido, as autoridades poderão aprofundar a análise sobre a origem das garrafas, os caminhos de distribuição e a eventual participação de outros envolvidos.

A operação também evidencia a dimensão interestadual atribuída à estrutura investigada. Embora a Região Metropolitana de Curitiba tenha sido apontada como núcleo de armazenamento e distribuição, os mandados foram cumpridos em diferentes localidades do país. O alcance geográfico da ação ajuda a compreender como o comércio irregular de vinhos pode ultrapassar as fronteiras de uma cidade e alcançar revendedores em vários estados.

As informações oficiais disponíveis até a divulgação da operação se concentram na investigação, nos mandados e na apreensão realizada em 2025. Novas conclusões sobre responsabilidades, volumes eventualmente comercializados e medidas judiciais dependerão do andamento do inquérito e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.

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