Nos últimos anos, o mercado de vinhos finos brasileiros tem experimentado uma transformação significativa, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A inovação trazida pela adoção da tecnologia de dupla poda da videira, validada e difundida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), tem sido um marco na vitivinicultura brasileira. Essa técnica revolucionária permitiu que regiões com climas mais úmidos e chuvosos, como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, passassem a produzir vinhos finos de alta qualidade, com destaque internacional. Essa mudança tem conquistado mercados e ganhado prestígio, tanto em prêmios nacionais quanto internacionais.
A dupla poda da videira consiste em uma técnica que permite a produção de vinhos com colheitas realizadas no inverno, uma estação mais seca e fria, ideal para a maturação das uvas. Segundo o enólogo Filipe Casselli, da Epamig, essa técnica possibilita que as uvas atinjam sua plena maturação sob condições climáticas ideais, com dias ensolarados e noites frias, características fundamentais para a formação de compostos fenólicos e açúcares nas uvas. Ao promover essas condições, a técnica garante vinhos com um perfil organoléptico superior, favorecendo o sabor e a complexidade das bebidas produzidas.
A disseminação da técnica foi gradual, mas notável. Desde sua introdução, a tecnologia de dupla poda tem sido adotada em diversas regiões do Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Vinícolas como a Casa Verrone e a Vinícola Guaspari, em São Paulo, foram pioneiras na utilização dessa técnica, colhendo os frutos dessa inovação com vinhos premiados em eventos importantes como a Expovinis e o Decanter World Wine Awards. A técnica não só transformou a produção local, mas também levou a vinícolas menores a serem reconhecidas no cenário nacional e internacional.
Em 2020, a Epamig alcançou mais um marco histórico com a conquista de uma medalha de ouro no Brasil Wine Challenge, um evento de grande importância no calendário vitivinícola nacional. Esse prêmio, junto com outros reconhecimentos internacionais, solidifica a ideia de que a tecnologia de dupla poda não é apenas uma técnica inovadora, mas um caminho para o Brasil se destacar no mundo dos vinhos finos. Com vinhos como o Syrah da Epamig e o Chardonnay da Casa Verrone, o país começa a ser visto como um novo polo produtor de vinhos de excelência.
Além dos vinhos premiados, a pesquisa conduzida pela Epamig tem sido fundamental para a evolução das práticas vitivinícolas no Brasil. As pesquisas realizadas por profissionais da empresa focam em diversas frentes, como o melhoramento das variedades de uvas e o uso de porta-enxertos mais vigorosos. A introdução de novas variedades, como o Cabernet Franc e o Tempranillo, tem ampliado o leque de opções para os produtores, permitindo a diversificação dos vinhos finos produzidos no país e agregando valor ao mercado. A constante pesquisa e inovação também asseguram a qualidade e a competitividade dos vinhos brasileiros no mercado global.
A diversificação das variedades de uvas utilizadas no processo de vinificação também é um fator importante para a consolidação do Brasil como produtor de vinhos finos de qualidade. Enquanto a Syrah e a Sauvignon Blanc foram as primeiras variedades a se destacar, hoje já se utilizam outras variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Marselan e Viognier. A adaptação dessas variedades ao clima e solo brasileiros, especialmente quando cultivadas sob a técnica de dupla poda, tem gerado vinhos com características únicas e marcantes, que têm conquistado os paladares mais exigentes.
A Epamig, além de ser pioneira na introdução da tecnologia de dupla poda, também exerce um papel importante no apoio aos produtores locais. Com um programa de incubação de vinícolas, a Epamig oferece suporte técnico e científico, o que facilita a entrada de novos produtores no mercado. Atualmente, a Epamig tem 19 vinícolas incubadas, e a demanda por esse suporte cresce a cada ano. Essa parceria entre ciência e produção é essencial para a contínua melhoria da qualidade dos vinhos produzidos, além de fortalecer a identidade e a sustentabilidade do setor vitivinícola nacional.
Em termos de pesquisa, a Epamig também tem se destacado no desenvolvimento de novos métodos de vinificação e no estudo do envelhecimento de vinhos. Pesquisas sobre o uso de madeiras brasileiras para envelhecimento de vinhos de inverno e o impacto das tecnologias enológicas no perfil sensorial das bebidas são alguns dos projetos que estão em andamento. Esses estudos buscam não só melhorar a qualidade dos vinhos, mas também agregar valor ao produto final, criando um diferencial competitivo no mercado.
A produção de vinhos finos no Brasil, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, tem demonstrado que o país tem condições ideais para se tornar um importante produtor mundial de vinhos. A adoção da tecnologia de dupla poda, aliada à pesquisa constante e ao apoio aos produtores locais, tem gerado resultados impressionantes. Com vinhos premiados, novas variedades sendo testadas e um mercado cada vez mais receptivo, o Brasil está, sem dúvida, se consolidando como um novo destino de vinhos finos no cenário global. A continuidade do investimento em pesquisa e inovação será a chave para garantir que esse crescimento se mantenha sustentável e próspero nos próximos anos.
Autor: Igor Semyonov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital