Vinhos frisantes e de baixo teor alcoólico ganham espaço no verão brasileiro

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez Diego Rodríguez Velázquez
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Vinhos frisantes e de baixo teor alcoólico ganham espaço no verão brasileiroVinhos frisantes e de baixo teor alcoólico ganham espaço no verão brasileiro

Consumo mais consciente impulsiona a categoria leve e acessível, com vinícolas gaúchas investindo em rótulos mais suaves e opções sem álcool.

Entre encontros informais, happy hours e refeições ao ar livre, uma categoria de vinho vem conquistando espaço crescente no copo do consumidor brasileiro: o frisante e, de forma mais ampla, os rótulos de baixo teor alcoólico. A dúvida que fica para quem acompanha o mercado é o que está por trás dessa mudança de comportamento e se ela representa apenas uma tendência sazonal de verão ou algo mais duradouro. Dados recentes de consultorias internacionais e movimentos de vinícolas brasileiras ajudam a responder essa pergunta, mostrando que o interesse por bebidas mais leves está ligado a uma transformação mais profunda na forma como o brasileiro se relaciona com o álcool. Entender essa mudança ajuda também a esclarecer o que, tecnicamente, diferencia um frisante de outros vinhos com bolhas.

Por que o consumidor brasileiro está migrando para bebidas mais leves

O movimento não é exclusivamente brasileiro, mas encontra terreno fértil por aqui. Segundo a consultoria internacional IWSR, o mercado global de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico ultrapassou 13 bilhões de dólares em 2023 e segue em trajetória de crescimento, um sinal de que a mudança de hábito não é passageira. No Brasil, ainda que o vinho tradicional continue liderando as vendas do setor, categorias mais leves, como espumantes suaves, vinhos adocicados e rótulos pensados para consumo refrescante, vêm ganhando protagonismo, especialmente durante o verão. Sommeliers que atuam no varejo especializado observam que a busca por moderação deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de consumo de uma parcela relevante dos clientes. PressePresse

Essa mudança de comportamento tem explicação em pesquisas de consumo: mais da metade dos consumidores, segundo levantamentos recentes, afirma ter reduzido a ingestão de álcool nos últimos anos, motivada por escolhas relacionadas a qualidade de vida e bem-estar. No caso específico do vinho, isso se traduz na procura por rótulos que entregam leveza e frescor sem abrir mão do prazer da experiência, algo que os frisantes, por sua própria natureza, já oferecem naturalmente. Vinícolas e importadoras têm respondido a essa demanda com produtos que unem menor graduação alcoólica a formatos mais práticos, como tampas de rosca e embalagens em lata, pensados para um consumo mais espontâneo e menos formal do que o tradicionalmente associado ao vinho.

O que diferencia o frisante de outros vinhos com bolhas

Do ponto de vista técnico, a diferença entre frisante e espumante está principalmente na pressão do gás carbônico dentro da garrafa. Enquanto um espumante costuma apresentar pressão superior a 3 atmosferas, resultando em borbulhas mais intensas e persistentes, o frisante fica na faixa entre 1 e 2,5 atmosferas, o que produz uma efervescência mais suave e discreta. Essa característica também influencia diretamente o teor alcoólico dos rótulos: enquanto espumantes podem ultrapassar 12% de volume alcoólico, os frisantes costumam variar entre 7% e 8,5%, o que os torna naturalmente mais leves e alinhados à busca atual por bebidas de menor graduação. Cia do Vinho

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O processo de produção também é mais simples. Diferentemente do espumante, que passa por métodos de elaboração mais complexos, como o método tradicional em garrafa ou o método Charmat em tanques, o frisante costuma resultar de uma única fermentação natural do mosto, ou da adição controlada de gás carbônico. No Brasil, a Serra Gaúcha se destaca na produção de frisantes elaborados com uvas como Moscato Branco, Niágara e Isabel, entregando rótulos cada vez mais consistentes em qualidade. Vale notar que nem todo frisante é doce: embora o Lambrusco italiano tenha popularizado a associação entre frisante e sabor adocicado, existem versões secas e meio secas que costumam agradar quem busca acidez e frescor em vez de doçura. Mistral

Como o setor está respondendo com novos produtos e campanhas

O setor produtivo já percebeu a oportunidade e vem investindo em campanhas e lançamentos direcionados a esse novo perfil de consumo. Um exemplo é a iniciativa do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Rio Grande do Sul, que lançou a campanha batizada de “Combina com você, combina com o verão”. Segundo a organização responsável pela ação, as vinícolas gaúchas vêm ofertando produtos mais leves e aromáticos, incluindo versões sem álcool e soluções práticas como tampas de rosca e opções em lata, para atender aos novos hábitos de consumo. Os números ajudam a dimensionar o tamanho dessa transformação: em 2023, o mercado interno absorveu cerca de 20 milhões de litros de espumantes brasileiros, sem contar o moscatel, enquanto essa categoria específica ultrapassou 13,5 milhões de litros comercializados em 2024. Vinho MagazineVinho Magazine

Outro foco estratégico das campanhas do setor é conquistar consumidores mais jovens, público que tende a ser mais cauteloso em relação ao consumo de álcool, mas que ainda assim se interessa por experiências sociais ligadas ao vinho. A aposta das vinícolas é ampliar a base de consumidores regulares, e não apenas ocasionais, formando o que representantes do setor chamam de nova geração de apreciadores da bebida. Para isso, marcas têm recorrido a linguagem visual mais próxima do cotidiano brasileiro e a formatos de consumo mais informais, movimento que deve se intensificar nos próximos verões, à medida que a categoria de vinhos leves segue ganhando espaço nas prateleiras e nos cardápios do país.

O crescimento dos frisantes e dos vinhos de baixo teor alcoólico no Brasil confirma uma tendência que já se consolidou em outros mercados: a busca por leveza e moderação sem abrir mão do prazer de uma boa taça. Entre a expansão do mercado global de bebidas com baixo álcool e os investimentos de vinícolas gaúchas em novos formatos, o cenário indica que essa categoria deixou de ser nicho e passou a ocupar espaço permanente no consumo brasileiro. Para quem ainda não experimentou, vale lembrar que a diferença entre frisante e espumante está, sobretudo, na pressão do gás e na graduação alcoólica, dois fatores que explicam por que essa opção tem conquistado tantos adeptos em dias de calor.

Fontes consultadas:
Presse: https://www.presse.inf.br/como-os-vinhos-de-baixo-teor-alcoolico-estao-mudando-a-forma-de-beber-no-brasil/
Jornal O Florense: https://jornaloflorense.com.br/espumante-brasileiro-se-reinventa-e-conquista-novos-momentos-de-consumo-no-verao/
Cia do Vinho: https://www.ciadovinho.com.br/frisante
Mistral: https://blog.mistral.com.br/beneficios-do-vinho/caracteristicas-frisante/

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